Azul em roupa de menina e rosa pra menino Entenda melhor essa história!

Azul em roupa de menina e rosa pra menino? Entenda melhor essa história!

 

Cultura, hábitos, padrões estéticos… tudo muda ao longo do tempo. Com a moda não poderia ser diferente: ela é reflexo dos nossos valores e pensamentos e uma das formas com a qual as pessoas colocam sua identidade em sociedade. Por isso, de tempos em tempos, ressignificamos nossos hábitos, nossas relações com o mundo e com as formas de se vestir.

Em se tratando de significações, as cores carregam um alto teor simbólico, e é fácil perceber como cada cor é representativa de algo. Vermelho? Remete a perigo, num âmbito subjetivo, e à sensualidade, no caso de roupas. Verde? Pensa-se na natureza ou, subjetivamente, em esperança. E não há representatividade maior no que diz respeito à gênero hoje do que a dicotomia: azul para roupa de menino vs. rosa para roupa de menina. Mas será que foi sempre assim?

Praticidade para vestir os pequenos no século XIX

Segundo a autora Jo Paoletti, do livro Pink and Blue: Telling the Girls From the Boys in America (Rosa e azul: diferenciando meninas de meninos nos EUA), no século XIX o padrão em relação às roupas e o visual das crianças era de que todas deveriam usar vestidos de cores neutras e cortar os cabelos só depois dos 7 anos de idade.

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Vestido de criança de 1890 – Coleção do Metropolitan Museum of Art – NY

Diz-se que era tudo por questões práticas: o vestido facilitava a troca das fraldas, o branco era a cor de tecido mais barata, dava pra aproveitar a roupa do filho mais velho no mais novo independente do gênero e os pais não precisavam se preocupar tão cedo em abordar questões de sexo, pois as crianças não percebiam visualmente suas diferenças.

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Vestido Infantil Americano do Sec. XIX – Museum of Fine Arts, Boston

No século XX: Rosa pra menino, azul pra meninas

Com o desenvolvimento das técnicas de tingimento, as roupas já não desbotavam com facilidade e houve barateamento de peças coloridas. E, assim, meninos passaram a usar a cor rosa por ser considerada uma variação do vermelho, mais vibrante, quente e, portanto, máscula. E às meninas cabia o azul, pela associação com o manto da Virgem Maria e ao reino dos céus. Interessante notar que, mesmo com a associação de cores inversa em relação aos dias de hoje, as características que cabiam ao sexo masculino e feminino se mantém: força atribuída ao homem e fragilidade atribuída à mulher.

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Roupa de Lã de Menino do começo de 1900 – High Vitoriana – Cortesia de Powerhouse de Sidney

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Vestido de Menina de 1870 de Londres ou América

E a partir de quando as coisas mudaram?

Não há como precisar a razão da inversão das cores, mas tudo indica que aconteceu na época do pós guerra: os nazistas usavam um triângulo rosa para identificar homossexuais nos campos de concentração. Os soldados voltaram da guerra e mantiveram a associação do rosa ao feminino. Nos anos 60 e 70 até houve tentativas de se estimular a igualdade para se vestir as crianças, mas com os avanços tecnológicos e com a possibilidade de se saber o sexo do bebê antes do nascimento, nos anos 80, o mercado passou a ver essa distinção como uma boa oportunidade de aumentar os lucros: produtos com um significado forte são sinônimo de grandes vendas. Assim, consolidou-se, como bem conhecemos hoje,  o costume de vestir meninas com a cor rosa e meninos com a cor azul.

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Molde de costura Infantil McCall’s 4945 – Vestido de Menina de 1959

Diversificando cores para roupa de menina e de menino

O bom de saber da história das coisas é poder entender como e porque elas aconteceram e assim poder pensar a respeito! Estabelecer uma ou outra cor para roupa de menina e de menino é pura convenção social. Vestir-se pode ser bem mais colorido e divertido do que ficar dentro do estereótipo “meninas-princesas” e “meninos-super-heróis”, além de ser um bom estímulo para quebrar tabus.

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Little Paula Spring – SS15
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Vamos colocar rosa no menino – olha que show a camiseta lavada e o shorts estampado no tom!! – Jose Varon – FIMI SS16

 

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Parrot – SS15
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Mayoral – SS15

Que tal ampliar as possibilidades e mostrar ao consumidor que vestir as crianças pode ir bem mais além do azul e rosa? Aposte, por exemplo, em cores que têm tudo a ver com o verão: laranja, verde, coral, salmão, amarelo são algumas das opções com grande potencial em despertar o interesse do consumidor e seu desejo de compra. Além disso, oferecer novas alternativas pode aos poucos mudar padrões de consumo, criar novos desejos e aumentar as vendas!

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Miss Blumarine – SS15
Spring-Summer 2015
Mayoral – SS15

O que você acha dessa história de atribuir cores a um ou outro sexo? Conte pra gente nos comentários!

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